terça-feira, 27 de julho de 2010

A criança e o urso

Fúria, tristeza, decepção. Uma criança que tinha seu ursinho preferido e amava-o, lhe dava carinho, cuidava e se dedicava. Certo dia achou que seria melhor mudar. Mudar de direção, caminho, sem ao menos saber o certo o que queria e pretendia. A criança, esforçada e dedicada apesar de tanto amor resolveu tentar. E tentou.
Alguns dias se passaram, meses.
A criança continuou tentando, sofrendo sabendo que talvez não tivesse tudo novamente como era antes, porém apesar de tudo que havia acontecido ela tinha esperança. A esperança era até então o sentido da vida. Da sua vida.
A criança não encontrou seu caminho ou talvez desistiu de tentar procura-lo.
O amor prevaleceu, falou mais alto.
Por sofrer a distancia que amargurava sua vida, aos poucos tentou se reaproximar do tal urso. Estando em seu lugar o urso recuou, evitou. Talvez com razão, por sofrer o abandono.
Pobre criança, mal sabia o que lhe esperava.
Dias passavam, noites sem dormir. Pensamentos que a rodeavam. As dúvidas que prevaleciam.
A esperança lhe motivava a seguir em frente, não desistir sem tentar.
Certo dia, sem esperar ela é surpreendida por uma revolta provocada pela agonia que agora a criança provocava ao urso.
Aquela criança que se dedicou, cuidou, deu amor e carinho estava a perder sua esperança por um erro que cometeu em um momento confuso de sua vida.
Foi rejeitada, maltratada. Sentiu-se fraca. Foi apunhalada no coração exatamente quando mais precisava de carinho e atenção.
Mas, fraco é aquele que não se deixa cicatrizar.
Foi assim que então a criança perdeu algo de mais precioso. Perdeu a esperança.
Agora então já nem tinha mais o brilho em seu olhar. O sentido, acabou.